segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O FERREIRO

Um ferreiro chamado João, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos, trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas apesar de toda a sua dedicação nada parecia dar certo em sua vida. Muito pelo contrário: doenças, problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitava e que quase se compadecia de sua situação difícil comentou:
- É realmente estranho João, justamente depois de você se tornar um homem com muito amor e dedicação a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de sua crença espiritual, nada tem melhorado para você.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida, mas nunca questionou a Deus sobre seus problemas. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e encontrou a explicação que procurava. Disse ao amigo:
- Eu recebo nessa oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade eu pego o martelo mais pesado e aplico vários golpes até que adquira a forma desejada. Logo, essa chapa é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente.
O ferreiro fez uma longa pausa, e continuou:
- As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas, e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. Eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina da espada. Então, simplesmente coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria.
Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:
- As doenças, os problemas, as dívidas, tudo isso que estou enfrentando... sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas da vida, às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é que Deus não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, mas que jamais me coloque no monte de ferro velho das almas.

Moral da história:
Quanto mais nos negamos a mudar, a nos moldar, a nos transformar, mais vezes temos de ir para o fogo, para o processo de amolecimento, a fim de nos tornarmos flexíveis... Então... que consigamos apenas não resistir tanto... e mais rapidamente nos transformaremos numa obra de arte... cada dia mais valiosa!